Um irmão pode receber uma parte maior da herança dos pais?
Postado em: 20 de julho de 2026
Olá, pessoal, boa noite! No post de hoje, vamos esclarecer uma dúvida muito comum no Direito das Sucessões: um irmão pode receber uma parte maior da herança dos pais? Entenda quando isso é possível tendo como base o julgamento do REsp. 2.225.451, proferido em 28/05/2026. Então, acompanhe com a gente para saber mais.
A perda de um ente querido inaugura um período de luto doloroso, que frequentemente se complica com a abertura do inventário. Nesse cenário sensível, buscar a harmonia familiar torna-se um verdadeiro desafio para os herdeiros.
Diante de desavenças sobre a divisão da herança, muitas pessoas acreditam que defender sua posição a qualquer custo é a única saída. No entanto, escolher uma partilha amigável de bens pode ser a decisão mais inteligente para proteger a sua estabilidade emocional.
Certamente, manter a paz entre os familiares exige maturidade e desprendimento. Deixar que a voz de outro herdeiro tenha prevalência em determinados momentos não significa fraqueza. Tampouco representa falta de posicionamento firme.
Pelo contrário, essa atitude demonstra sabedoria de quem compreende que o patrimônio financeiro não supera o valor das relações humanas. O diálogo sincero é sempre o melhor caminho para resolver impasses contratuais. Contudo, quando o diálogo se mostra insuficiente, surge a hora exata de reconhecer os limites.
A saúde emocional e os benefícios da partilha amigável de bens
A saúde emocional deve ser considerada a prioridade absoluta durante a divisão de uma herança. Processos judiciais litigiosos podem se arrastar por anos nos tribunais, alimentando mágoas profundas e destruindo laços de afeto. Consequentemente, o desgaste mental provocado por brigas intermináveis consome a energia dos envolvidos.
É exatamente por isso que a partilha amigável de bens ganha cada vez mais relevância social e jurídica. Recuar estrategicamente em uma negociação de quinhões não é uma derrota, mas um investimento direto na sua qualidade de vida e na preservação da sua saúde mental.
O entendimento do STJ sobre a partilha amigável de bens com divisão desigual
Com o objetivo de facilitar a pacificação das relações familiares, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) firmou um entendimento fundamental. A Terceira Turma do tribunal decidiu, em 28/05/2026, que é plenamente possível realizar a partilha amigável de bens com a divisão desigual dos quinhões hereditários.
De acordo com os ministros, desde que todos os herdeiros sejam maiores, capazes e estejam em pleno consenso, eles possuem total autonomia de vontade para abrir mão de parcelas de seu quinhão legal. Essa flexibilidade jurídica permite que os familiares moldem a divisão conforme as necessidades reais de cada um, sem a obrigação de uma igualdade matemática rígida.
Nota Jurídica: A homologação da partilha desigual não exige obrigatoriamente a lavratura de escritura pública de doação, bastando a formalização por termo nos autos do inventário ou por instrumento particular ratificado, respeitando-se a incidência dos impostos devidos (como o ITCMD sobre a parcela excedente).
Em síntese:
Como aplicar a partilha amigável de bens para evitar litígios
Para aplicar esse novo entendimento na prática, os herdeiros devem contar com uma assessoria jurídica especializada e humanizada. Um advogado experiente conduzirá as negociações com foco no consenso, formalizando a partilha amigável de bens de maneira segura e eficiente por meio de estratégias de planejamento sucessório.
Quanto à eventual incidência de impostos na cessão gratuita dos direitos hereditários, que é equiparada à doação, o STJ entende que isso deve ser analisado pelo fisco e que essa questão tributária não impede a Justiça de homologar o acordo entre os herdeiros.
Portanto, se você percebe que a disputa patrimonial está adoecendo a sua família, avalie a possibilidade de ceder em alguns pontos. Reconhecer o momento de recuar protege o seu bem-estar e encerra o inventário com rapidez. Afinal, a paz de espírito é o maior patrimônio que você pode preservar para o seu futuro.
Conclusão: um irmão pode receber uma parte maior da herança dos pais?
Como vimos, embora a regra geral seja a igualdade na divisão da herança entre os herdeiros da mesma classe, a legislação e a jurisprudência admitem situações em que um irmão pode receber uma parcela maior da herança, desde que sejam observados os requisitos legais e haja concordância entre as partes quando cabível.
Além disso, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça representa um importante avanço ao permitir a homologação da partilha desigual mesmo quando ainda não houve o pagamento do imposto incidente sobre eventual cessão gratuita de direitos hereditários. Isso torna o procedimento mais célere e evita que questões tributárias impeçam a solução consensual do inventário, sem afastar a posterior análise pelo fisco.
Cada inventário possui particularidades que exigem uma avaliação técnica e cuidadosa. Por isso, antes de tomar qualquer decisão ou firmar um acordo, é fundamental contar com a orientação de um advogado especializado em Direito das Sucessões. E, se você precisar de uma orientação personalizada para o caso da sua família, clique aqui para conversar conosco direto no WhatsApp.
Nota da Autora: Além da advocacia, busco acolher pessoas através da literatura. A escrita tem o poder de tocar corações.
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