Oi pessoal, boa noite! No post de hoje vou falar sobre uma parte da minha trajetória na preparação para o concurso de juiz e também esclarecer uma dúvida: “comprei um imóvel e quero alugar, o que preciso fazer?”

Contudo, antes de aprofundarmos no tema de locação, decidi iniciar uma série muito especial aqui no blog. Como mencionei acima, vou compartilhar com vocês a minha trajetória de estudos para o concurso de Juiz de Direito (Magistratura).

Muitas pessoas me perguntam sobre isso. Portanto, nos próximos posts, vou revelar detalhes práticos: como eu estudava, como organizava minha rotina, quais técnicas utilizava, como encarava as provas e como mantive a constância durante anos.

Por isso, abro esta série para relatar com sinceridade o que funcionou para mim, o que falhou e o que eu faria diferente hoje.

Minha trajetória de 9 anos de estudos e a busca pela cura

Durante quase nove anos da minha vida, estudei e renunciei tudo pelo sonho da Magistratura. E, quando digo que renunciei a tudo, não uso essa expressão por força de linguagem.

Deixei de viver momentos preciosos. Não mantive vida social enquanto enfrentava uma rotina exaustiva de trabalho e estudos. Para ter uma ideia, cheguei a não comparecer à formatura do meu primo no curso de Odontologia.

Ele é o irmão que eu e a minha irmã não tivemos, ainda assim, não estive ao lado dele em um momento tão importante. Naquela época, porém, a preparação para o concurso e o trabalho ocupavam todo o meu tempo. Eu acreditava que precisava abrir mão de tudo para alcançar a aprovação.

A foto ao lado mostra o meu primo-irmão, Léo. Naquela época, depois de muita insistência da minha irmã, participei dessa reunião familiar da foto. No entanto, a imagem também revela um pouco do que eu vivia. Meus olhos mostram olheiras profundas, pois durante quase nove anos, dormi muito pouco. Quando finalmente conseguia pegar no sono, muitas vezes sonhava com reprovações nas provas.

Hoje, reconheço que cometi um grande erro. Eu acreditava que precisava abrir mão de tudo para alcançar meu objetivo. Por isso, acumulei trabalho, estudos, jurisprudência, legislação e simulados. Consequentemente, deixei a vida acontecer em segundo plano.

Na verdade, percebo que repeti esse padrão durante grande parte da minha vida. Comecei a trabalhar aos 14 anos dando aulas de piano e vendendo bolos caseiros com a minha amiga Michelle nos comércios do Rudge Ramos, e, desde então, mantive o foco no trabalho e nos compromissos profissionais. E, sem perceber, passei a acreditar que a vida se resumia ao dever, à responsabilidade e ao esforço.

Quando dois pontos mudaram o rumo da minha história

Depois de tantos anos nessa rotina, enfrentei um desgaste emocional enorme. Chorei inúmeras vezes e carreguei uma pressão que só quem passa por uma preparação tão longa consegue compreender.

Então, chegou a minha última prova objetiva do concurso de Juiz.

Justamente a prova que sempre representou a etapa mais difícil para mim.

Foram apenas dois pontos, disputando a vaga com quase 23 mil candidatos.

Naquele momento, com o coração partido, decidi parar. Foi muito difícil fazer aquela escolha depois de dedicar quase nove anos da minha vida àquele sonho.

No entanto, hoje consigo enxergar aquela história de outra maneira.

Aqueles dois pontos não representaram apenas uma reprovação. Para mim, eles marcaram o início da minha verdadeira cura.

Aos poucos, Deus me mostrou que a minha felicidade não dependia do cargo de juíza. Mostrou também que eu poderia construir uma vida com outros significados. Assim, comecei a enxergar novos horizontes. E, pouco a pouco, encontrei a paz e o propósito que vivo hoje, que é ajudar e auxiliar as pessoas através da escrita, e não apenas com o meu trabalho de advogada.

Talvez, por isso, eu queira compartilhar essa trajetória aqui. Não para ensinar uma fórmula de aprovação, mas para contar o que aprendi ao longo desse caminho, inclusive os erros que cometi e as escolhas que, hoje, eu faria de maneira diferente durante a preparação para o concurso.

Comprei um imóvel e quero alugar: por onde começar?

Estudar para a Magistratura ensinou disciplina e o Direito de maneira extremamente aprofundada. Às vezes sinto que existe uma enciclopédia dentro da minha cabeça de tanto que estudei nos últimos anos. Além disso, ensinou a importância de não perder a própria vida durante a caminhada. E quando pensamos em patrimônio e tranquilidade, um planejamento consciente evita desgastes emocionais como os que vivi no passado.

Comprar um imóvel traz uma mistura de expectativa e dúvidas práticas. Se você pensa: “Comprei um imóvel. E agora? Decidi que não quero morar nele, mas quero alugar. Por onde começo?”, saiba que essa é uma dúvida muito comum para quem busca renda mensal com investimentos.

Todavia, embora o processo pareça simples (anunciar, encontrar um inquilino, assinar o contrato e entregar as chaves), alguns cuidados evitam dores de cabeça no futuro.

Sendo assim, o primeiro passo é decidir a modalidade de locação:

  • Locação direta: Você procura o inquilino e cuida de toda a negociação por conta própria.
  • Intermediação imobiliária: Uma imobiliária de confiança administra o contrato e os serviços.

Se você não tem experiência, contar com uma imobiliária pode ser uma excelente alternativa. A empresa auxilia na divulgação, seleção, análise cadastral, elaboração do contrato e vistoria. No entanto, contratar uma imobiliária não exime o proprietário de acompanhar as condições do negócio.

O contrato de locação e a vistoria do imóvel

O contrato não deve ser tratado como uma mera formalidade. Porquanto, nele estão estabelecidas as regras fundamentais entre proprietário e inquilino. Sendo assim, antes de assinar, verifique pontos essenciais:

  • Valor do aluguel, data de vencimento e índice de reajuste. O IGP-M é o índice tradicional aplicado ao contrato de locação;
  • Prazo da locação e modalidade de garantia escolhida;
  • Responsabilidades sobre condomínio, IPTU e encargos;
  • Regras para reformas, benfeitorias, manutenção e rescisão contratual;
  • Multas em caso de descumprimento.

Um bom contrato deve ser claro e objetivo. Além do contrato, a vistoria do imóvel é indispensável. Portanto, antes de entregar as chaves, registre as condições do imóvel com fotos, vídeos e descrições detalhadas. Esse cuidado protege ambas as partes contra desgastes que ultrapassem o uso natural do bem.

Proteção jurídica e cuidados do proprietário

Quando planejamos uma locação, focamos em encontrar um bom inquilino. Contudo, o proprietário também precisa se resguardar juridicamente. Analise as garantias, entenda os procedimentos em caso de inadimplência e escolha parceiros de confiança.

Não escolha uma imobiliária apenas pelo menor preço. Pondere critérios como transparência, organização e qualidade do serviço. Afinal, você está entregando um patrimônio construído com muito esforço.

Prevenir é sempre mais tranquilo e menos custoso do que resolver um problema após a celebração do contrato de locação.

Portanto, antes da entrega das chaves é justamente a melhor oportunidade que você tem de estabelecer regras claras, documentar o estado do imóvel e organizar corretamente a relação com o futuro inquilino.

Para quem deseja se aprofundar na legislação e entender todas as regras que regem os contratos de locação no Brasil, vale a pena consultar a Lei de Locação (Lei nº 8.245/1991) na íntegra no site do Planalto.

Contate-nos